sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

MEMÓRIAS PERDIDAS DE UM ÓRFÃO...



“O destino nunca teve compaixão com esse garoto... Matthews, mesmo tentado batalhar contra o destino e suas conseqüências, Percebeu que o mesmo não pode ser enganado. No profundo coração do jovem, ainda existem sentimentos de um infante. Mas, o tempo lhe trouxe feridas que não cicatrizaram. Ferimentos que o fizeram amadurecer muito rápido, quando na verdade, era para estar nutrindo emoções de uma criança.

Samuel ‘Sniper’, Eutanatos.

Sobre as ruas sujas e geladas de Los Angeles, é noite. Inverno rigoroso na cidade onde a circulação de pessoas é grande. Naquele dia, após um longo treinamento carregado, Samuel decidiu sair rumo à praça em busca de tranqüilidade e distrações com seu discípulo. Entre atrações e diversões, o Eutanatos percebeu que seu garoto não tinha preferências e encantamentos por coisas que crianças comuns tinham. Pensava o quão complicado era fazer Matthews abrir um sorriso de felicidade. Afinal, sempre procurou achar um meio de fazer, mas o garoto possuía princípios autistas. Após uma curta e comum noite sem sucesso. Ambos se dirigiam ao apartamento que pertencia ao Eutanatos. Nenhuma palavra era comentada, Matthews como sempre, vivia com as mãos dentre os bolsos da calça, olhar fixo abaixo, sem expressão, sem sentimentos.

Ao passarem por uma travessa, Samuel com pensamentos distantes, não percebe que o garoto some de sua vista. Este que repara o órfão agachado com foco ao que parece em alguma coisa. Uma curiosidade é despertada pelo desperto, que vai em direção até a cena. Percebe que a criança está a focalizar um filhote de cachorro, a qual se encontra esguio, aparentemente doente e com muita fome. O mestre percebe que os olhos de seu discípulo repercutem um brilho diferente. Mesmo não gerando nenhuma expressão, o Eutanatos sente uma impressão diferente vinda da criança. – Vamos Matthews. Está ficando tarde, temos muito a fazer amanhã, diz o Eutanatos. – O garoto se levanta, novamente coloca a mão sobre os bolsos, e de vista baixa segue rumo a morada com seu educador.

MADRUGADA... NO BECO, O FILHOTE QUE NÃO TEVE CULPA POR TER SURGIDO, ENCONTRA=SE DEITADO, GANINDO DE FORMA BAIXA, COMO SE ESTIVESSE IMPLORANDO POR ACOLHIMENTO, SEM ALMEJAR UMA VIDA CHEIA DE RIQUEZA OU ALGO DO TIPO, MAS CARINHO E AMIZADE. SERIA TÃO DIFÍCIL POSSUIR TERNURA DE UM DONO? A NEVE ENCOBRE O CÃO, QUE DEVIDO O ABATIMENTO, TORNA A OLHAR A RUA VAZIA E ESCURA ESPERANDO SEU ESGOTAMENTO. DE REPENTE, PERCEBE UMA SOMBRA SOBRE SEU CORPO, GIGANTESCA. SEM FORÇAS DEVIDO A FOME, NÃO CONSEGUE SE MOVER PARA OLHAR O INDIVÍDUO. A APARIÇÃO SE MOVE FRENTE AO FILHOTE, QUE PERCEBE OLHOS RUBROS, QUE COM AS MÃOS O SUSPENDE PELO DORSO. AGORA ESTA CAMINHANDO SEM AO MENOS SE MOVER. REAÇÃO? BALANÇAR O RABO COMO SE ESTIVESSE AGRADECENDO.

Alvorada, Samuel acorda e tem a sensação de estar sentindo um cheiro diferente no apartamento. Procura pelos cômodos onde estaria localizado o distinto odor Algo comparado a de um animal quando não toma banho, especificamente, cachorros. Entre partes da casa, percebe que o quarto de Matthews encontra-se fechado. Coloca o ouvido sobre a porta, e após alguns segundos, se retira da casa em passos sutis, seguindo um caminho a qual parece ser sem rumo.

Algumas horas após, o Órfão desperta com um barulho de batidas na porta. Deitado sobre o chão gelado do quarto, com um lençol jogado pelo chão. O filhote encontra-se na cama coberto por outra concha a qual parece ser mais grossa. O garoto assustado esconde o cão com o seu lençol, vai em direção a porta e sem deixar aberturas para a passagem de um individuo, mostra a cabeça. É o Eutanatos, que possui uma sacola. Nesta, é possível ver uma logomarca de um gato abraçado com um cachorro. O garoto torna a ficar desconfiado. Samuel fala: - Bem, faça logo o que você tem de fazer, porque hoje o dia será longo. E não pense que permitirei este animal em minha residência (seriedade...). O jovem pega o pacote e após fechar a porta. Tira do enrolo alguns itens como ração, vasilhas, ‘talco’, areia de fazer necessidades, uma bola de plástico, e por ultimo, um osso de brinquedo de cor amarela. Neste momento, o garoto percebe que o filhote esta por cima da cama. Ainda um pouco adoentado e parco. Entretanto, olha para a cara do mesmo, inclina a cabeça e faz uma expressão como se perguntasse: - É meu? – Sniper profere um grito chamando por Matthews, que deixa os objetos organizados no quarto e sai em pressas em direção ao seu mestre.

Após um longo e cansativo dia, ambos despertos voltam a residência. O garoto segue em direção ao quarto, e percebe o cachorro que parece estar numa situação melhor. O cansaço que o Órfão sente é extenso, o treinamento ocorrido naquele dia foi carregado. Após jantar e fazer suas necessidades diárias é hora de dormir e preparar-se para mais um cansativo dia. O infante prepara um local quente ao chão para o filhote, e decide dormir em sua cama. Ao fechar os olhos que se encontram pesados, sente algo peludo encostando-se em suas costas. Matthews joga o lençol sobre a criatura, e de forma cuidadosa, tornar a dormir...

“UMA CAPELA, A QUAL POSSUI UMA QUANTIDADE RELATIVA DE PESSOAS, UMA RESSONÂNCIA PURA É SENTIDA NO LOCAL. A FRENTE, É POSSIVEL VER UM CORAL DE CRIANÇAS QUE CANTAM. MAS NENHUM SOM É ESCUTADO. ENTRETANTO, A SENSAÇÃO É CONFORTANTE, SORRISO E ALEGRIA POR TODOS OS LADOS. NO CORO ENCONTRA-SE A GAROTA TRAVESSA QUE ATORMENTAVA MATTHEWS EM SEUS SONHOS, ELA OLHA PARA O GAROTO E MOSTRA SUA LINGUA, EM SEGUIDA, ABRE UM SORRISO SINCERO E CATIVANTE. PESSOAS SE APROXIMAM E BUSCAM ACARICIAR O BEBÊ. MATTHEWS SENTE-SE ALEGRE, UMA SENSAÇÃO ABSTRATA, MAS AO MESMO TEMPO REAL. AO OLHAR PARA CIMA, SEU CORAÇÃO BATE DE FORMA INTENSA. EIS QUE SE ENCONTRA SOBRE O COLO DE SUA GENETRIZ. DE FORMA AFETIVA, ELA BUSCA DAR UM BEIJO NA TESTA DO NENÉM. O ÓRFÃO SENTE QUE ABRIU UM SORRISO.”

Novamente alvorada, Samuel como sempre de rotina, acorda cedo, e percebe que não foi o primeiro a acordar na localidade. Escuta um latido do filhote que reside em sua casa, sente uma leve curiosidade. E espreitando-se, vai em direção ao quarto de seu discípulo. O Eutanatos ao chegar ao cômodo, tornar a tomar um susto. Seus óculos caiem ao ver algo que já havia desistido de contemplar. Seu aluno brincando com o cachorro, da face de Matthews, é possível perceber um tímido, mas sincero sorriso. Sniper não consegue tomar nenhuma atitude quanto ao fato, entra em um tipo de transe, até o garoto o perceber no dormitório. Matthews, desconfiado e em receio, abaixa a cabeça. Samuel diz: - Sabe, hoje tenho muitas coisas a fazer. Por isso, estará livre. Não pense que será perdoado. Amanhã, seu treinamento será em dobro. – Ao se retirar, antes de fechar a porta, o Eutanatos diz: - Sim, trate logo de escolher um nome para este filhote, o destino trata de seres que não tem identificação. – Quando a porta é fechada, um sorriso sutil é exaltado pelo mestre desperto, que assim se retira da residência, acreditando em seus pensamentos vivenciar novos dias.

É noite, Samuel retorna a residência. Com uma face cansada, expressando fadiga e sonolência. Entretanto, seu sorriso ainda não foi perdido, e com o mesmo vai em direção ao quarto do seu discípulo. Ao chegar, percebe que o garoto encontra-se dormindo, e o filhote ao seu lado. O Eutanatos, ao ver a cena, diz em baixo tom de voz: - É, acho que perdi muita coisa, mas é bom descansar, amanhã será outro dia longo, irei compensar o dia perdido (sorriso...). – Sniper puxa o lençol que se encontra ao seu lado, e o coloca sobre o garoto. Percebe que o cachorro o olha, abanando o rabo. O mestre coloca a mão por cima da cabeça do animal afetivamente. Faz um chiado almejando silêncio (Chii...). E se retira do dormitório sutilmente.

“UMA BRILHO É SENTIDO, A QUAL TENTA ULTRAPASSAR A PELÍCULA DOS OLHOS. AO ABRI-LOS, DE FORMA LENTA E TIMIDA. A BELA MULHER DE SEMBLANTE MATERNO É TIDA EM VISTA. OS OLHOS BRILHAM, O QUÃO BELO SERIA CONTEMPLAR AQUELA FACE. OS FEIXES DE LUZES PROCURAM CONTORNÁ-LA, TENTANDO AO MÁXIMO FOCALIZÁ-LA. A CRIANÇA PROCURA FALAR, MAS SENTE QUE NÃO É POSSIVEL. SUAS MÃOS PROCURAM ALCANÇAR O ROSTO DE SUA MÃE. AO PERCEBER, SUA GENETRIZ ENCOSTA O NARIZ E FAZ UM MOVIMENTO ENGRAÇADO. UMA ALEGRIA É SENTIDA PELO GAROTO. QUE PROCURA SOLTAR DE SUAS CORDAS A PALAVRA “MÃE”, - TALVEZ NÃO ESTEJA NA HORA – PENSA O MESMO. QUE A OBSERVA ADMIRADO. PESSOAS SE APROXIMAM E CONVERSAM COM SUA PROGENITORA, QUE SEMPRE PROCURA APRESENTAR SUA CRIANÇA A AMIGOS. MATTHEWS, VIRA SUA FACE, E PERCEBE AQUELA QUE SERIA SUA IRMÃ, DE OLHOS FECHADOS, CANTANDO E ENTOANDO COM O CORAL (MESMO NÃO ESCUTANDO NADA...), TÃO BELA QUANTO SUA GENETRIZ. DE REPENTE, UMA DOR NO PEITO É SENTIDA PELO BEBÊ. UMA JANELA, A QUAL SE ENCONTRA ESCURA, MESMO EM LUZ DO DIA. E SENTIDA UMA PRESENÇA, UM ASPECTO ATERRORIZANTE E APAVORANTE. MATTHEWS, NÃO SABE O QUE SE ENCONTRA NAQUELE LOCAL, MAS EXISTE ALGUÉM OS OBSERVANDO. ALGO NEGRO PROCURA PROFANAR UMA FORMA ROBUSTA E ASSOMBROSA. O GAROTO A QUAL NÃO CONSEGUE FALAR, PROCURAR EXPRESSAR AQUILO EM LÁGRIMAS E CHOROS. UMA CHORADEIRA AGONIZANTE QUE MOSTRA TEMÊNCIA E HORROR. UMA TENTATIVA DE MOSTRAR A SUA MÃE QUE ESTÃO EM PERIGO. REPENTINAMENTE, TODO O CENÁRIO SE ENCONTRA ADORMECIDO, PESSOAS PARADAS COMO SE FOSSEM ESTATUAS. O ÓRFÃO CHORA, SENTE FALTA DE PROTEÇÃO. E DA JANELA, UMA MÁCULA SE EXPANDE PELA IGREJA, TODO UM CENÁRIO DE LUZ, COMEÇA A SE TRANSMUTAR EM TREVAS. AS PAREDES COMEÇAM A ADERIR UM TOM NEGRO E MEFISTOFÉLICO. DA LUZ, COMEÇAM A EXISTIR SOMBRAS E TREVAS. O SOL É CONSUMIDO PELO ESCURO, E AS ESTATUAS DE ANJOS LACRIMEJAM SANGUE. PASSOS SÃO ESCUTADOS, UM DESESPERO CONSOME A CRIANÇA, DA FACE DE SUA PROGENITORA, LÁGRIMAS DE SANGUE ESCORREM, DE PRANTO E LAMENTAÇÃO. MATTHEWS, PERCEBE QUE ALGO SE APROXIMA, E COM ELE UMA SOMBRA FRIA E OBSCURA. ASAS ABREM DA SITUELA SOMBRIA, E ALGO COMPARADO A UMA ARMA É RETIRADA DA FORMA. A CRIANÇA SENTE AS MÃOS DE SUA GENETRIZ TENTAREM TOMAR ALGUM ESFORÇO, UM CÂNTICO É ENTOADO NA CAPELA. AQUELE MAJESTOSO CANTO QUE FAZ A CRIANÇA SE SENTIR CALMA E ALIVIADA. O ÓRFÃO SENTE UM LEVE SONO, PROCURA TENTAR FICAR ACORDADO, PROCURA ALGUM MEIO DE PROTEGER SUA MÃE. ELA OLHA PARA SEU BEBÊ, E ABRE UM SORRISO, AFETIVO E MATERNAL. ASSIM, O SEGURANDO FIRMENTE DE FORMA A PROTEGÊ-LO. ELA DIZ: - EU TE AMO E SEMPRE TE AMAREI, MEU BEBÊ. –... “SANGUE E ESCURIDÃO”.

Samuel acorda, como sempre de cotidiano, próximo ao sol despertar. O mestre sente algo diferente, como se algo estivesse estranho. Uma preocupação surge com seu discípulo. E rapidamente o Eutanatos se dirige até o quarto. Uma cena é observada, as mãos de Sniper tremem de forma descomunal. Matthews encontra-se encolhido, encostado na parede. Abraçando o filhote, a qual se percebe falecido. O mestre sente que Matthews de alguma forma quer chorar, mas o garoto se prende de uma forma que fica a soluçar. Como se todo o sentimento estivesse preso em seus pensamentos e subconsciente alheio. Lágrimas são notadas, mas a expressão do órfão continua a mesma. O garoto procura segurar o cadáver firmemente, não com as mãos de um assassino, mas sim, como se quisesse protegê-lo. O Eutanatos fica sem reação, se aproxima do garoto, que não o nota. Aproxima a mão sobre a cabeça do garoto, antes de tocá-lo, toma uma pausa. Samuel sai do quarto, de forma calma e comum, até fechar a porta. Na sala, Sniper aperta seu peito, como se estivesse sentindo uma dor no coração, a face expressa dor e agonia. O desperto vai em direção ao sofá, puxa um óculos. E se sai da casa, sem rumo. Nesse momento, nada é demonstrado por Samuel Sniper. Entretanto, algo incolor escorre de seu rosto, até ser levado pela atmosfera.


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