sábado, 12 de fevereiro de 2011

ENCRUZILHADA....


SETE ANOS DEPOIS...

“Chuvas seguidas de estrondosos relâmpagos tornavam o céu daquela noite pesada. Os ventos eram fortes, firmes e violentos, através da janela era possível ter uma vista vazia da cidade onde o jovem se situava... Um local que para todos seria hostil, entretanto comum. Mas que o destino plantaria suas sementes de forma a abraçar aqueles a quem abençoaria/amaldiçoaria...”

A cidade estava em silêncio, era noite. Turno onde todas as pessoas (ou grande maioria...) procuravam seus abrigos em busca de descanso e proteção diante dos constantes perigos situados na localidade.

Matthews não sabia o porquê, mas toda chuva que descia do céu, lhe trazia uma sensação esquisita, a qual sentimentos não eram possíveis explicar, nem lembranças. Porém, de forma impulsiva, procurava ir de encontro à precipitação, e passava horas olhando para o céu escuro e cinzento. Naquele dia não seria diferente, abriu a janela e se dirigiu até a escada de incêndio que estava um pouco enferrujada e cheia de lodo. Sentou-se sobre a mesma, e tornou a olhar a atmosfera. Pensamentos não fluíam, simplesmente aquele momento o fazia ficar em transe, forçava suas lembranças ao máximo em busca de explicações, mas simplesmente todas eram abandonadas. Sobre a rua passava uma mulher, protegida sobre uma composta roupa de couro preta, e um guarda chuva transparente. Ele tornou a fitá-la, enquanto ela aparentava estar em duvida sobre qual caminho escolher. O beco hostil, mas que se tornaria por si um atalho rumo ao seu lar. Ou, seguir rumo à calçada, a qual se encontrava abarrotada de lama. Não demorou muito, e o seu caminho foi o oponente, porém mais rápido. O jovem reparando a cena puxou do bolso de sua calça um terço, com um crucifixo de madeira a qual ainda aparentava estar conversado. Já fazia muito tempo, mas o objeto tomou toda a atenção do garoto, a qual pensava como aquilo poderia gerar tanta fé mediante um momento de horror. Até segurar no crucifixo, e lembrar-se da face da criança em lágrimas circulada por morte e dor. Terry e John haviam saído havia algumas horas, ambos foram resolver problemas do “superior”, e como segundo Terry seria algo de extrema facilidade, decidiu dar ao discípulo uma noite de descanso. Mas já deixando o mesmo ciente de que o outro dia haveria de nascer um sol em sangue.

Repentinamente, da travessa escuta-se um grito. Ao olhar, Matthews repara a mulher cercada por dois indivíduos, difíceis de definir detalhes, já que o local encontrava-se sobre um escuro vazio. Um dos ladrões tentava puxar a bolsa da dama, enquanto o outro a agarrando puxava em direção a parede. Não demorando muito, seu grito de socorro aos poucos estava sendo abafado pela sufocação que um dos sujeitos lhe causava. Aquela cena estacionava os olhos do jovem, que segurou o terço firmemente paralisado, e sem expectativas do que iria acontecer, começou a observar o acontecimento. Enquanto visualizava o que ocorria, pensava o quão expressivo era o sofrimento e desespero da mulher, percebeu que nela era possível encontrar belos traços, mas que os mesmos eram obstruídos pelas faces violentas dos cruéis pecadores. Toda esperança em lutar pela sobrevivência da garota era perdida, e cada vez mais, era possível sentir o cheiro da macula e luxuria gerada pelos devassos que se expandia.

“Pensamentos vagamente são transpassados... POR QUE ELA RESISTE?... O DESTINO FOI PEVERSO, LHE FEZ ESCOLHER ESTE LOCAL... NÃO EXISTE ESPERANÇA, A FÉ É ALGO APENAS ABSTRATO...”

Em desespero, por um instante a mulher olha para a escada, e de alguma forma , olha para o local onde o adolescente se encontra. Ele, assustado, fixa a imagem dos olhos da garota em lágrimas que sobre uma expressão diz – SOCORRO! – Matthews, segura seu peito com uma dor que não é sentida fisicamente, mas sim psicologicamente.

“VISÃO: Um dia de chuva, um parque, um guarda-chuva de estampas floridas, e um sorriso vivo e brilhante. Uma garotinha segurando uma criança e uma mulher apoiando a sombrinha sobre ambos... Um homem, a olhar com um sorriso satisfatório e contemplador... Indo em direção...”

A visão é fechada, uma pontada na cabeça do garoto é sentida (ele não percebe, mas marcas são desenhadas lentamente em seu corpo). Quando ele olha novamente para a cena apavorante. Desce em pressas rumo ao local. Com um salto, cai em cima de um dos bandidos, e o mesmo sente sua cara sendo chocada com o chão. Uma briga é travada, até o desmaio do primeiro saqueador. Quando o garoto se dirige até o comparsa, seus olhos vermelhos sedentos por sangue trazem um verdadeiro medo interior ao individuo, que puxa uma arma e coloca sobre a cabeça da garota. O jovem corre em direção ao maculado de forma destrutiva, e sente algo frio perfurar seu peito. Continua a correr, e sente que novamente algo lhe perfura, agora em seu ombro. Sobre o segundo tiro é forçado a se ajoelhar no chão, toda vista ao seu redor é contorcida, se fixando nos olhos da garota, percebe que ela o olha de forma diferente. Toda a esperança que ela havia perdido havia retornado naquele momento, e com um grito de “socorro” faz com que o bandido a empurre e saia correndo em desespero. A garota corre em direção ao garoto, que amedrontada grita por socorro o mais alto possível...

“MATTHEWS, DEITADO DE COSTAS AO CHÃO, OLHA FIXAMENTE O CÉU; O QUAL AINDA MUITO ESCURO, NÃO APARENTA ESTAR PRÓXIMO DE PARAR SEU DILÚVIO. SUA DOR NA CABEÇA JÁ NÃO É MAIS SENTIDA, NÃO É POSSIVEL SE ESCUTAR MAIS NADA, NEM AO MENOS O BARULHO DA CHUVA. MAS POSSIVEL SENTIR AS GOTAS QUE TOCAM SUA PELE, NÃO SENTE FRIO OU CALOR, SUA VISTA. AOS POUCOS, COMEÇA A ESCURECER, E DOS SEUS PENSAMENTOS, RESTAM LEMBRANÇAS FORÇADAS DAQUELA CENA NA CHUVA...”

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